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GALERIA DOS MESTRES

Uma galeria localizada no espaço do evento da antiga fábrica Renner, como referência aos mestres que fazem parte da história da arte no sul do país e que possibilitaram com suas obras e ensinamentos a riqueza artística e cultural de Porto Alegre. 7 Mestres homenageados. 7 Obras doadas por artistas do movimento ESSA POA É BOA. Ado Malagolli por Paulo Chimendes, Alice Soares por Maria Tomaselli, Angelo Guido por Fabio Zimbres, Danúbio Gonçalves por Gustavo Nakle, Iberê Camargo por Will Cava, Vasco Prado por Paulo Olszewski e Raul Cassou, Xico Stockinger por Rodrigo Núñez e João Fahrion por Nelson Jungbluth. Todas as obras serão doadas e leiloadas em prol da II etapa do projeto Essa Poa é Boa que será realizado no espaço público: arte urbana - arte "na" e "com" a comunidade. Um agradecimento especial a todos os artistas que estão doando seu trabalho por uma Poa muito Boa.

 

ADO MALAGOLLI por Paulo Chimendes
(Araraquara,SP, 1906 – Porto Alegre,RS, 1994)

Mudando-se para São Paulo aos 14 anos, no período de 1919 a 1922, estuda na Escola Profissional Masculina. Nos anos seguintes estuda no Liceu de Artes e Ofícios, mudando-se nos anos 1930 para o Rio de Janeiro, onde estuda na Escola Nacional de Belas Artes e participa do Núcleo Bernardelli. Recebe Menção Honrosa no Salão Nacional em 1935 e formar-se em 1936 na Escola Nacional de Belas Artes. No Salão Nacional de 1942, recebe o prêmio de Viagem ao Estrangeiro no Salão Nacional. Nos período de 1943 a 1946 reside nos Estados Unidos (Los Angeles, Chicago e Nova Iorque), onde estuda História da Arte e Museologia. Sua primeira mostra individual ocorre em 1946 na Galeria Careen Gems, em Nova Iorque. Retorna em 1947 ao Brasil, participa do Salão de Outono e da I Bienal de São Paulo. Atendendo a um convite oficial muda-se, em 1952, para Porto Alegre, assumindo a cadeira de Pintura na Escola de Belas Artes do Rio Grande do Sul e, posteriormente, a direção da Divisão de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura. Nessa instituição vai criar, em 1957, o MARGS. Unindo uma sólida formação, que inclui os cursos de Artes Decorativas, Pintura, História da Arte e Museologia, sua obra inicialmente estava presa aos parâmetros do ensino acadêmico. Por influência do Núcleo Bernardelli torna-se um pintor de temática social e sua obra desenvolve-se neste universo a partir de então. A partir dos anos 1950 sua obra torna-se madura e o ele passa então a trabalhar, alternadamente, em diversos gêneros e temas, tais como a paisagem, as figuras humanas, as imagens sagradas, chegando mesmo até a abstração. Sua influência no meio artístico sul riograndense foi enorme, tanto enquanto professor assim como administrador cultural. O museu que ele criou tornou-se em 1997 O Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli.
 

 



ALICE ARDOHAIN SOARES por Maria Tomaselli
(Uruguaiana, RS, 1917 – Porto Alegre, RS, 2004)

Diplomada em Pintura, em 1943, na Escola de Artes do Rio Grande do Sul, onde passa a lecionar a partir de 1945. Em 1947 forma-se em Escultura na mesma instituição. Participa da I Bienal de São Paulo e, ao longo dos anos 50 cursa pintura com Andre Lhote, no Rio de Janeiro, cerâmica com Wilbur Olmedo, gravura com Iberê Camargo e fez curso com Horácio Juarez, em Buenos Aires. Participando de inúmeras exposições coletivas e apresentando-se em várias individuais, desenvolve paralela a carreira de artista, intensa atividade no magistério sendo fundadora e primeira diretora da Escolinha de Arte da Associação Cultural dos Ex-Alunos do Instituto de Artes da UFRGS. Artista plenamente realizada e professora exemplar foi um modelo de profissional que formou e influenciou um grande número de artistas gaúchos. Manteve durante mais de 30 anos ateliê coletivo com a pintora Alice Brueggmann.

 


ANGELO GUIDO por Fabio Zimbres
(Cremona, Itália, 1893 – Pelotas, RS, 1969)
Morando inicialmente em São Paulo, onde fez seu aprendizado artístico, já era artista consagrado com obras em Salvador e em Santos quando, em 1925, fixa-se em Porto Alegre. Nesta capital faz crítica de arte no Diário de Notícias e participa, a partir de então, de inúmeras mostras coletivas e manteve intensa atividade cultural e intelectual, culminando no período de 1959-1962, quando dirige a Escola de Artes da UFRGS. Excelente pintor paisagista, crítico de arte dos mais dotados e desbravador dos estudos históricos de arte no Estado, Guido foi responsável por obras fundadoras como a monografia sobre Pedro Weingärtner e, junto com Fernando Corona, foi autor da primeira história da arte local (publicada na Enciclopédia Rio-Grandense). Sua exemplar atuação no nosso meio artístico foi objeto de um inexplicável ostracismo nos anos 1970-1980, quando passou então a ser objeto de estudos, tanto o artista quanto o crítico e historiador de arte.

 


DANÚBIO VILLAMIL GONÇALVES por Gustavo Nakle
(Bagé, RS, 1925)

Pintor, desenhista e gravador, fez sua formação inicial na sua cidade natal> Em 1943 estuda com Cândido Portinari e na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, onde residiu por 14 anos. Viaja para a Europa em 1950, onde visita museus e estuda na Academia Julien, em Paris. Referência obrigatória na arte brasileira, produz nos anos 1950, as séries de xilogravuras intituladas Xarqueadas e Minas do Butiá, duas das maiores expressões da arte brasileira do século XX. De volta ao Rio Grande do Sul nos anos 1960, leciona e dirige o Atelier Livre da Prefeitura e também dá aulas no Instituto de Artes da UFRGS nos anos de 1969 a 1971. Personagem marcante da cultura rio grandense e professor de várias gerações de artistas locais e nacionais, sua imensa e variada obra é marcada pela excelência do desenho, pelo excepcional domínio das técnicas da xilogravura e da litogravura e também pela pintura de grande qualidade.



FRANCISCO STOCKINGER por Rodrigo Núñez
(Traum, Áustria, 1919)

Tendo vindo para o Brasil ainda criança, morou inicialmente no interior de São Paulo e, depois na capital. Nesta cidade fez seus estudos e muda-se posteriormente para o Rio de Janeiro, cidade na qual diploma-se arquiteto meteorologista e inicia a sua formação artística. Transfere-se para Porto Alegre em 1954 trabalhando como chargista em jornais locais. Apesar do reconhecimento enquanto artista, sua carreira toma impulso a partir dos anos 1960 com participações em importantes mostras coletivas e individuais. Na sua escultura utiliza-se de materiais como o ferro, bronze e o mármore. Autor dos célebres Guerreiros, esculturas de forte caráter crítico e social, também trabalhou nas Colunas em mármore, obras econômicas e elegantes, séries as quais associa também a série de Cactus, esculturas de ferro pintado. Sua obra tem como marcas a diversidade de formas, a excelência no trato dos materiais e sua inequívoca identidade. É uma das referências maiores da arte sul-rio-grandense.

 


IBERÊ CAMARGO por Will Cava
(Restinga Seca, RS, 1914 – Porto Alegre, RS, 1994)

Referência nacional da arte brasileira da segunda metade do século XX foi um artista característico de sua época pela excelência formal e rigorosa pesquisa. Com formação iniciada na cidade de Santa Maria e, posteriormente, no na Escola de Belas Artes do Rio Grande do Sul, vai para o Rio de Janeiro onde recebe o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro. Durante o gozo do prêmio estuda em Roma com vários artistas, inclusive com Giorgio de Chirico e, depois, em Paris foi aluno de Andre Lhote. Retornando ao Brasil torna-se professor na Escola Nacional de Belas Artes, atividade que manterá durante toda a sua vida, principalmente nos seus célebres cursos de gravura. Protótipo do artista intelectual, Iberê Camargo seguirá uma trajetória marcada pela profundidade de suas pesquisas formais, pelas mudanças arrebatadas e pela militância cultural. Unanimidade entre a crítica e os colecionadores, tornou-se nos últimos anos de sua vida uma celebridade nacional.






JOÃO FAHRION por Nelson Jungbluth
(Porto Alegre RS 1898 / 1970)

Pintor, ilustrador, desenhista, gravador, professor e poeta. Inicia-se na pintura por volta de 1916. Cursa escultura com Giuseppe Gaudenzi na Escola Parobé, em Porto Alegre, entre 1918 e 1920, e viaja para a Europa como pensionista do governo gaúcho, de 1920 a 1922, estudando em Berlim, Munique (Alemanha) e Amsterdã (Holanda), tendo como mestres Muller, Schoerfeld e Seek. Em 1936, ministra aulas no seu ateliê em Porto Alegre e, no ano seguinte, passa a lecionar desenho e pintura no Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul, até 1970. Ilustra o livro Carlos Magno e seus Cavalheiros, em 1937, e funda com outros artistas a Associação dos Artistas Plásticos Francisco Lisboa, em 1938.


 



VASCO PRADO por Paulo Olszewski
(Uruguaiana, RS, 1914 – Porto Alegre, RS, 1998)

Estudou com Fernand Léger e com Etienne Hadju na Escola de Belas Artes de paris no período de 1947-48. Artista politicamente ativo, participou do Clube de Gravura de Porto Alegre e também lecionou no Atelier Livre da Prefeitura. Um dos mais importantes escultores gaúchos de todos os tempos, sua obra destaca-se pela multiplicidade de técnicas e suportes: escultura, desenho, gravura, mármore, bronze, terracota etc. Apesar da celebridade alcançada com suas obras de temática regional – são de sua autoria as imagens mais significativas do Negrinho do Pastoreiro e também são notáveis seus cavalos – é autor também de uma série de figuras humanas – torsos – em mármores excepcionais pela expressividade e pela economia das formas. Sua obra transita do mínimo – as delicadas terracotas – até as grandes formas como as dos seus murais espalhados pela capital.